Bets não provocaram a crise do varejo, afirma presidente da ANJL
Terça-feira 14 de Julho 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(São Paulo). Em uma coluna de opinião publicada pelo jornal Estadão, Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), argumenta que atribuir ao mercado regulado de apostas de quota fixa a responsabilidade pela crise enfrentada pelo varejo brasileiro representa uma interpretação equivocada dos dados econômicos. No artigo, o autor defende que o avanço do comércio eletrônico, as mudanças no comportamento do consumidor e o elevado endividamento das famílias explicam melhor o cenário atual do que a expansão das plataformas de apostas.
Plínio Lemos Jorge questiona estudo que relaciona bets à crise do varejo
Na coluna publicada pelo Estadão, Plínio Lemos Jorge rebate a tese de que as bets seriam responsáveis por uma suposta fuga de até R$ 50 bilhões anuais do varejo brasileiro. Segundo o presidente da ANJL, estimativas desse tipo partem de uma leitura incorreta sobre o funcionamento econômico das plataformas de apostas.
O autor argumenta que alguns estudos confundem o volume bruto movimentado pelos operadores com o lucro efetivamente gerado pelo setor, o que levaria a conclusões distorcidas sobre o impacto das apostas na economia.
"Estimativas dessa ordem confundem o volume total de transações que circulam nas plataformas com o seu lucro. Tratar o fluxo bruto de movimentação como dinheiro permanentemente retirado do mercado é um erro básico de contabilidade."
Para Plínio Lemos Jorge, responsabilizar o mercado regulado pelas dificuldades do varejo significa ignorar mudanças estruturais que vêm transformando o comportamento de consumo no Brasil.
Artigo utiliza dados da LCA para contestar impacto econômico das bets
Ao longo da coluna, o autor cita um estudo elaborado pela LCA Consultoria, baseado em dados públicos, segundo o qual o gasto líquido médio mensal dos apostadores brasileiros é de aproximadamente R$ 122.
Na avaliação de Plínio Lemos Jorge, esses números não eliminam a importância das políticas de jogo responsável, mas ajudam a dimensionar o peso real das apostas no orçamento das famílias brasileiras.
Segundo o autor, os dados reforçam a tese de que o impacto econômico das bets sobre o varejo tem sido superestimado, uma vez que as apostas representam menos de 1% do consumo das famílias.
Comércio eletrônico mudou a dinâmica do varejo
Outro ponto central desenvolvido na coluna é a transformação do varejo brasileiro impulsionada pela digitalização.
Segundo Plínio Lemos Jorge, o crescimento do comércio eletrônico, dos marketplaces e das plataformas digitais explica muito mais a perda de espaço do varejo tradicional do que a expansão das apostas online.
"O varejo vem perdendo espaço para os mercados digitais. Culpar o setor regulado de quota fixa é fechar os olhos para os desafios que o varejo enfrenta."
O autor lembra que, enquanto o varejo tradicional registrou crescimento inferior a 2% em 2025, o comércio eletrônico avançou em dois dígitos no mesmo período. Ele também destaca que grandes marketplaces, como o Mercado Livre, registram elevado volume de transações, refletindo uma mudança significativa nos hábitos de compra dos consumidores.
Além disso, Plínio Lemos Jorge observa que os indicadores oficiais ainda não capturam integralmente essa transformação, uma vez que parte relevante das vendas realizadas em plataformas digitais permanece sub-representada nas estatísticas tradicionais do comércio.
Crédito e endividamento também fazem parte da discussão
Na parte final da coluna, o presidente da ANJL afirma que o crescente endividamento das famílias brasileiras está mais relacionado ao uso intensivo do crédito do que às apostas esportivas.
Segundo o autor, a ampliação das compras parceladas e a elevada taxa de juros do crédito rotativo têm impacto muito maior sobre o orçamento das famílias do que o consumo em plataformas de apostas regulamentadas.
Ao concluir sua análise, Plínio Lemos Jorge reforça que atribuir ao setor regulado a responsabilidade pelos desafios enfrentados pelo varejo significa deixar de enfrentar os fatores econômicos que realmente influenciam o consumo.
"As bets não são a origem da dívida das famílias. O brasileiro apenas mudou o jeito de comprar e vive amarrado ao crédito. Quem fechar os olhos para essas verdades não vai perder para as apostas. Vai perder para a própria inércia."
A coluna publicada no Estadão amplia o debate sobre os impactos econômicos do mercado regulado de apostas no Brasil e defende que a discussão sobre o desempenho do varejo seja baseada em dados consistentes, considerando as transformações do consumo, a expansão do comércio digital e o fortalecimento do mercado regulamentado de apostas.
Categoría:Análisis
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
Eventos
PERU GAMING SHOW – PGS 2026
17 de Junho 2026
ProntoPaga consolida crescimento regional após a Peru Gaming Show
(Lima, Exclusivo SoloAzar).- Juan Carlos Loza, Head of Sales Latam da ProntoPaga, conversou com exclusividade após a participação da empresa na Peru Gaming Show 2026, onde destacou os acordos firmados, o interesse pelas soluções de pagamento da companhia e os planos de expansão que impulsionarão seu crescimento na América Latina.
Segunda-feira 03 Aug 2026 / 12:00
Capacitação e jogo responsável: chaves para a indústria de jogos em PGS 2026
(Lima, Exclusivo SoloAzar).- A importância da capacitação, da prevenção e das ferramentas tecnológicas para promover o jogo responsável foram os principais eixos da conferência “O Valor do Jogo Responsável nas Operações de Jogos de Azar”, apresentada durante o Peru Gaming Show (PGS) 2026 por Fernando Calderón Castro, presidente da Sociedade Nacional de Jogos de Azar (SONAJA). O encontro reuniu representantes da indústria para analisar os desafios atuais do setor e as estratégias necessárias para garantir operações mais seguras, transparentes e sustentáveis.
Quarta-feira 22 Jul 2026 / 12:00
LSports no Peru Gaming Show: fortalecendo presença e abrindo novas oportunidades
(Lima, Exclusivo SoloAzar).- O Peru Gaming Show nunca foi apenas sobre o estande. Para a LSports, o objetivo era marcar presença em um mercado onde estar presente ainda faz a diferença — e sair do evento com muito mais do que uma lista de contatos. Federico Brancato, Gerente de Vendas para a região LATAM, chegou a Lima com uma visão clara sobre o que os operadores desta parte da América Latina mais precisam neste momento. O que encontrou confirmou essa percepção.
Sexta-feira 17 Jul 2026 / 12:00
SUSCRIBIRSE
Para suscribirse a nuestro newsletter, complete sus datos
Reciba todo el contenido más reciente en su correo electrónico varias veces al mes.