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Associações e governos na América Latina: setor de jogos exige diálogo técnico e previsibilidade regulatória

Quarta-feira 01 de Abril 2026 / 12:00

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(Cartagena das Índias).- A cidade foi palco de um intenso debate sobre o papel das associações do setor de jogos na construção de políticas públicas, onde líderes regionais coincidiram na necessidade de fortalecer o diálogo com os Estados, alertaram sobre decisões unilaterais que impactam a sustentabilidade da indústria e defenderam a evolução do papel associativo como ator técnico-chave na região.

Associações e governos na América Latina: setor de jogos exige diálogo técnico e previsibilidade regulatória

No âmbito da GAT Expo Cartagena 2026, realizada entre 24 e 26 de março no Centro de Convenções Las Américas, o painel “Associações” reuniu importantes líderes do setor para analisar a relação entre entidades representativas e governos na América Latina. Participaram Aurea Navarro, diretora da Associação de Permissionários e Provedores da Indústria do Entretenimento e Jogos de Aposta no México (AIEJA); Fernando Calderón, presidente da SONAJA Peru; Mario Trucco, diretor-executivo da ALEA (Argentina); John Mario Giraldo, presidente do Conselho Diretivo da Cornazar; Rubén Felipe Lagarejo Rivas, presidente da FEDELCO; e Lorena Rojas, presidente da Associação Paraguaia de Operadores de Jogos de Azar (APOJA), com moderação de Evert Montero Cárdenas, presidente da FECOLJUEGOS.

Desde o início, Montero definiu o tom do encontro como “uma conversa urgente” e alertou para o deterioramento da relação entre associações e governos em alguns países. “Houve uma ruptura quase total das relações (…) e isso traz diversas consequências”, afirmou, destacando que a ausência de consulta técnica pode resultar em “decisões pouco informadas” que impactam tanto o setor quanto o próprio Estado.

Um dos eixos centrais foi o papel das associações como interlocutores técnicos. Nesse sentido, Aurea Navarro afirmou que “em um cenário ideal, os atores associativos não apenas deveriam atuar como interlocutores técnicos junto ao governo, mas também contribuir para a formulação de políticas públicas”. A executiva citou o caso mexicano, onde a alta rotatividade de reguladores — “16 reguladores em 16 anos” — dificulta a continuidade das políticas e exige das associações uma contribuição técnica constante.

Do Peru, Fernando Calderón reforçou a importância da articulação institucional: “Não se trata apenas de representar os interesses dos associados, mas de contribuir com o Estado para que sejam elaboradas normas adequadas e técnicas”. No entanto, alertou que problemas surgem quando decisões tributárias são tomadas sem consulta prévia: “Isso começa a distorcer o mercado”.

Uma visão mais otimista veio do Paraguai. Lorena Rojas destacou os avanços regulatórios recentes em seu país: “Aprendemos que não podemos apenas reagir, precisamos nos antecipar”. Nesse contexto, enfatizou o papel do setor privado como gerador de informação: “Não há nada pior do que uma regulação feita com base em suposições”. Também ressaltou a importância da previsibilidade: “Quando há uma autoridade firme (…) o empresário pode começar a falar em previsibilidade”.

Por sua vez, na Colômbia, foi destacada a necessidade de reconstruir a confiança. John Mario Giraldo foi direto ao afirmar que “regular sem o setor não é apenas ineficiente, é tecnicamente incompleto”, observando que, sem conhecimento real do mercado, “regula-se para dentro, não para fora”. Ele também alertou para a falta de diálogo: “Não temos confiança”.

Mario Trucco, com base na experiência da ALEA na Argentina, ressaltou a importância de consolidar as associações como entidades de referência: “O principal (…) é nos posicionarmos como referência do setor”, afirmou, destacando o papel da comunicação na “desconstrução de mitos” e no combate à estigmatização da atividade.

O debate também abordou os fatores necessários para construir relações sólidas com os governos. Transparência, comunicação contínua e respaldo técnico foram conceitos recorrentes. “Regular mais não significa regular melhor”, destacou-se durante o painel, juntamente com a necessidade de avaliar impactos financeiros e garantir transições adequadas.

Olhando para o futuro, os participantes concordaram que o papel das associações evoluirá para uma maior integração regional e um perfil cada vez mais técnico. “Sem diálogo técnico não há políticas públicas sustentáveis”, afirmou uma das expositoras, enquanto Rojas antecipou que as associações se tornarão “fornecedoras de dados” e diagnósticos para os governos.

Por fim, foi proposto um novo paradigma: deixar de lado a confrontação e avançar para uma visão de setor unificado. “O setor é um só e, se uma parte vai mal, todo o setor sofre”, concluiu Trucco, sintetizando o espírito de um painel que deixou claro que o futuro do gaming na região dependerá, em grande medida, da qualidade do diálogo entre indústria e governo.

Categoría:Eventos

Tags: GAT EXPO Gaming & Technology,

País: Colombia

Región: Sudamérica

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