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Infraestrutura digital fortalece confiança no mercado regulado de apostas no Brasil

Sexta-feira 06 de Março 2026 / 12:00

⏱ 4 min de lectura

(Rio de Janeiro).- A construção de uma infraestrutura tecnológica robusta foi apontada como um dos pilares para o funcionamento do mercado brasileiro de apostas reguladas durante o painel “A Construção da Infraestrutura Digital no Mercado Brasileiro Regulado”, realizado no evento SBC Summit Rio. O debate reuniu representantes do governo, operadoras e empresas de tecnologia para discutir monitoramento de dados, segurança digital e proteção ao consumidor.

Infraestrutura digital fortalece confiança no mercado regulado de apostas no Brasil

Entre os participantes esteve a Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), responsável pelo desenvolvimento de parte da infraestrutura tecnológica que sustenta o sistema de fiscalização das apostas no país.

Monitoramento em larga escala

Durante o painel, o subsecretário de Monitoramento e Fiscalização do Ministério da Fazenda, Fabio Macorin, explicou que um dos principais desafios da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) foi estruturar rapidamente um sistema capaz de acompanhar um mercado recém-regulamentado e altamente dinâmico.

Segundo ele, o regulador já consegue acompanhar tanto a operação das empresas quanto o comportamento dos apostadores dentro das plataformas.

“Hoje conseguimos visualizar tanto as operações das empresas quanto o comportamento dos usuários, identificando padrões e eventuais outliers que indicam necessidade de atuação do regulador”, afirmou.

A dimensão do sistema também impressiona pelo volume de dados. Apenas em 2025, primeiro ano de funcionamento da base de monitoramento, foram recebidos cerca de 253 bilhões de registros, evidenciando a escala tecnológica necessária para acompanhar o novo mercado regulado.

Tecnologia pública na base da regulação

Representando o Serpro, a superintendente de negócios Elaine Kato destacou que o funcionamento do mercado depende de uma base tecnológica capaz de conectar regulador, operadores e laboratórios certificados de forma segura.

Segundo ela, por trás das plataformas de apostas existe um ecossistema tecnológico complexo responsável por garantir integração contínua, segurança da informação e governança de dados.

A executiva apresentou o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), desenvolvido pelo Serpro para a Secretaria de Prêmios e Apostas. A plataforma centraliza o recebimento e o monitoramento das informações enviadas pelas operadoras autorizadas.

De acordo com Kato, o desenvolvimento do sistema foi guiado por três princípios fundamentais: segurança da informação, interoperabilidade e governança de dados, garantindo que as regras regulatórias sejam efetivamente aplicadas no ambiente digital.

Ferramentas voltadas ao jogo responsável

Entre as soluções integradas ao sistema está a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, implantada em dezembro de 2025. A ferramenta permite que usuários solicitem voluntariamente o bloqueio de sua participação em apostas regulamentadas.

Atualmente, cerca de 340 mil autoexclusões estão ativas no sistema.

Outro recurso importante é o Módulo de Impedidos, que realiza verificações automáticas para impedir o cadastro de pessoas que recebem benefícios sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada.

Segundo o Serpro, aproximadamente 900 mil beneficiários desses programas já foram bloqueados, evitando que recursos destinados à inclusão social sejam utilizados em apostas.

Adaptação tecnológica das operadoras

Do lado das operadoras, a CIO da empresa Casa de Apostas, Lívia Troise, afirmou que 2025 foi marcado por um intenso processo de adaptação às exigências regulatórias e técnicas impostas pela nova legislação brasileira.

Segundo ela, as certificações garantem que jogos e sistemas sejam auditáveis e rastreáveis, passando por testes realizados por laboratórios independentes.

Ainda assim, Troise destacou que a proteção ao apostador depende principalmente do monitoramento contínuo das operações dentro das plataformas.

“O que realmente protege o usuário é o que acontece depois da certificação: a capacidade de cada operador de acompanhar o comportamento dentro das plataformas e agir rapidamente quando algo foge do padrão”, explicou.

Próxima etapa: eficiência e experiência do usuário

Para a executiva, o setor entra agora em uma nova fase. Após o período inicial de adaptação às regras, o desafio será transformar a estrutura regulatória e tecnológica em processos mais eficientes e melhor experiência para os usuários.

Hoje, abrir uma conta em plataformas reguladas pode levar entre cinco e dez minutos, devido às verificações de identidade e segurança exigidas. Segundo Troise, esse tempo pode gerar fricção para operadores licenciados e abrir espaço para plataformas ilegais que não seguem essas regras.

Regulação da cadeia tecnológica

Outro ponto discutido no painel foi a necessidade de regulamentar também os fornecedores de tecnologia que compõem o ecossistema das apostas.

Para Joelson Vellozo Jr., diretor de políticas públicas da empresa de verificação de identidade Unico, a segurança de um mercado digital depende da robustez de toda a cadeia tecnológica.

Ele destacou que a definição de critérios regulatórios para provedores de verificação de identidade — conhecidos como sistemas de KYC (Know Your Customer) — cria um padrão mínimo de qualidade e segurança para o setor.

“O desafio agora é manter o equilíbrio entre segurança e inovação, garantindo integridade ao mercado sem comprometer a capacidade de evolução tecnológica”, concluiu.

O painel integrou a programação do SBC Summit Rio, evento internacional do setor de apostas e jogos online realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março. O Serpro também participou da feira com um estande dedicado ao diálogo técnico com empresas e especialistas da indústria.

Categoría:Eventos

Tags: SBC Summit Rio,

País: Brasil

Región: Sudamérica

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