IBJR identifica mais de 60 mil sites suspeitos de apostas no Brasil
Sexta-feira 30 de Outubro 2026 / 12:00
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(Brasil).- Um levantamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), realizado por meio do sistema de monitoramento LegitBet, identificou 60.477 endereços suspeitos de oferecer apostas desde o início da proibição das bets no país. Desse total, 34.134 apresentaram características como ofertas de bônus, pagamentos via Pix e formulários de cadastro. O levantamento também aponta o uso indevido de marcas de operadoras conhecidas para direcionar consumidores a plataformas não oficiais, ampliando os riscos de fraudes no mercado brasileiro.
Mais de 60 mil endereços suspeitos entram no radar do IBJR
Os dados do IBJR, atualizados até 27 de outubro, revelam a dimensão da presença de plataformas suspeitas no ambiente digital brasileiro após a interrupção das atividades das casas de apostas regulamentadas.
O monitoramento é realizado com o LegitBet, ferramenta que identificou 60.477 endereços com indícios de oferta de jogos de azar. Em 34.134 deles, foram encontrados elementos associados à operação de apostas, incluindo mecanismos de cadastro, pagamentos por Pix e ofertas promocionais.
O instituto ressalta que os números representam os endereços incorporados à base de monitoramento, e não necessariamente a criação de novos sites. Da mesma forma, a identificação dessas características pela ferramenta não substitui a análise das autoridades responsáveis pela fiscalização e eventual classificação de cada página como ilegal.
Marcas de operadoras são utilizadas para atrair apostadores
Imitações de plataformas regulamentadas
Além da quantidade de endereços suspeitos, o levantamento destaca uma prática que preocupa as empresas do setor: a utilização indevida de marcas conhecidas para atrair consumidores a plataformas diferentes das anunciadas.
Segundo o IBJR, páginas fraudulentas reproduzem elementos da identidade visual de operadoras reconhecidas, enquanto outras publicações mencionam empresas legítimas, mas direcionam os usuários para serviços sem qualquer vínculo com as marcas originais.
"Estamos diante de golpes que exploram a confiança do consumidor em marcas conhecidas. Há sites que imitam a identidade visual de operadoras como Betano, Novibet, Bet365 e BetMGM", afirmou Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR.
Um dos casos relatados pela assessoria da BetMGM envolve uma página que utiliza o nome da empresa como porta de entrada para outra plataforma. Após clicar no endereço, o usuário é redirecionado a um site que anuncia bônus de 500% nos quatro primeiros depósitos.
A empresa esclareceu que a página identificada não pertence aos seus canais oficiais. Também foram identificadas publicações de terceiros que utilizam nomes de diferentes operadoras para atrair visitantes e encaminhá-los a outras casas de apostas.
Monitoramento identifica centenas de novos endereços suspeitos
Os registros diários também demonstram a continuidade da circulação dessas ofertas no ambiente digital.
Somente em 27 de outubro, o LegitBet incorporou 436 endereços suspeitos à sua base, dos quais 231 apresentaram as características monitoradas pela ferramenta. Na mesma data, foram registrados 374 links suspeitos divulgados nos canais acompanhados pelo sistema.
Esse último indicador considera a circulação de links, independentemente de representarem novos sites identificados.
Redes sociais e aplicativos de mensagens são utilizados na divulgação
O sistema de monitoramento combina diferentes métodos de identificação, incluindo pesquisas na internet, registros recentes de domínios, redes de páginas previamente acompanhadas, canais do Telegram e redes sociais.
A ferramenta também rastreia endereços com nomes semelhantes, que apresentam pequenas alterações de números, letras ou terminações, uma estratégia utilizada para reproduzir a aparência de domínios conhecidos.
Carlos Lima alertou para a permanência da divulgação de ofertas clandestinas em plataformas digitais.
"Bets clandestinas continuam anunciando em redes sociais, como o Instagram, e divulgando esses golpes em aplicativos de envio de mensagens, levando o público para páginas que não oferecem as mesmas garantias de segurança das operadoras licenciadas", declarou.
Proibição das apostas no Brasil e avanço das ofertas clandestinas
A Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território brasileiro. A restrição abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line, inclusive quando disponibilizados por empresas sediadas no exterior para consumidores localizados no Brasil.
Conforme o cronograma divulgado pelo Ministério da Fazenda, os sites e aplicativos destinados à oferta dessas modalidades deveriam ficar indisponíveis a partir de 6 de outubro.
Entretanto, os dados do IBJR mostram que endereços com características associadas à oferta de apostas continuam sendo identificados durante a vigência da proibição.
O instituto ressalta que os números, isoladamente, não permitem determinar o impacto direto da medida provisória sobre o tamanho do mercado clandestino, o volume de apostas ou a quantidade de fraudes. Ainda assim, a entidade considera que a retirada das plataformas regulamentadas dificulta a identificação de canais legítimos pelos consumidores.
IBJR defende retomada do mercado regulamentado
Diante desse cenário, o IBJR defende a retomada de um ambiente regulado e fiscalizado, argumentando que a proibição das operadoras autorizadas não impediu a circulação de ofertas clandestinas.
"Com as plataformas reguladas fora do ar, ficou mais difícil para o consumidor distinguir um canal verdadeiro de uma imitação. A proibição afastou as empresas fiscalizadas, mas não impediu a circulação dessas ofertas que prejudicam a sociedade", afirmou Lima.
O executivo também defendeu medidas direcionadas ao combate das estruturas que sustentam essas operações, incluindo a investigação dos responsáveis, a remoção de anúncios e páginas fraudulentas e a interrupção dos pagamentos utilizados para financiar as atividades ilegais.
O levantamento reforça o debate sobre os desafios de fiscalização do mercado brasileiro de apostas e a capacidade das autoridades de conter a atuação de operadores clandestinos em um ambiente digital que ultrapassa as fronteiras nacionais.
Categoría:Gaming
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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