Flávio Bolsonaro busca alternativa para bets após conversa com Flamengo
Sexta-feira 23 de Outubro 2026 / 12:00
⏱ 5 min de lectura
(Brasília).- O candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL) teria prometido buscar uma alternativa para o setor de apostas on-line caso seja eleito, após conversar com Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, presidente do Flamengo. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo e reproduzidas pelo portal Agenda do Poder, o senador sinalizou que pretende discutir soluções para os clubes de futebol e as empresas de apostas, mas não se comprometeu a restabelecer a autorização para o funcionamento das bets no país.
Flávio Bolsonaro discute impactos da proibição das bets
A conversa telefônica teria ocorrido em setembro, um dia após a edição da medida provisória do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que determinou a proibição das casas de apostas, antes do primeiro turno das eleições. De acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo, baseada em relatos de três pessoas ligadas ao futebol e à campanha bolsonarista, ouvidas sob condição de anonimato, Flávio procurou tranquilizar o dirigente rubro-negro diante dos possíveis efeitos financeiros da medida sobre os clubes brasileiros.
Após a votação de 4 de outubro, representantes da campanha e pessoas ligadas ao Flamengo teriam mantido novos contatos. A equipe do candidato, porém, não respondeu aos questionamentos enviados pela publicação.
Apesar de criticar a decisão do governo federal, Flávio Bolsonaro não apresentou uma proposta definitiva para o futuro das apostas on-line. A possibilidade de buscar uma alternativa regulatória não representa, portanto, um compromisso formal com a retomada das operações.
O Flamengo, por sua vez, negou qualquer alinhamento eleitoral. Em resposta à Folha de S.Paulo, a assessoria do clube declarou: “O Flamengo não discute e não declarará apoio a nenhum dos candidatos”.
Flamengo lidera reação dos clubes contra a proibição
A medida provisória provocou resistência entre clubes que mantêm contratos comerciais com operadores de apostas esportivas. Para essas equipes, os patrocínios das bets representam uma fonte relevante de receitas, utilizada para financiar atividades esportivas, investimentos e despesas operacionais.
Sob a presidência de Bap, o Flamengo tornou-se um dos principais representantes da reação à medida. O clube ingressou como parte em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a validade da proibição. O processo está sob relatoria do ministro Luiz Fux.
Além da iniciativa judicial, o Rubro-Negro utilizou um dos principais espaços publicitários de sua camisa, anteriormente ocupado por uma empresa de apostas, para exibir uma mensagem contrária à medida.
A insatisfação também alcançou outras equipes. Menos de uma semana após a publicação da medida provisória, clubes boicotaram uma reunião convocada pelo governo federal para discutir o assunto, levando ao cancelamento do encontro.
Patrocínios das bets no centro do debate
A disputa evidencia a importância comercial que as empresas de apostas conquistaram no futebol brasileiro. Uma eventual restrição prolongada à atividade pode levar à renegociação de contratos, à redução dos valores de patrocínio e à revisão das estratégias de marketing dos operadores.
Nesse cenário, a busca por alternativas regulatórias tornou-se uma questão relevante para os clubes e para os demais agentes da indústria de jogos de azar que mantêm relações comerciais com o esporte.
Flávio critica decisão do governo, mas não garante retorno das apostas
Durante a campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro criticou a maneira como o governo federal determinou o encerramento das atividades das casas de apostas. O senador afirmou que uma proibição por meio de “uma canetada” prejudicaria a segurança jurídica, os clubes de futebol e as empresas do setor.
O candidato também defendeu uma diferenciação entre as apostas esportivas e os jogos de cassino on-line, incluindo modalidades popularmente conhecidas como jogo do tigrinho. Apesar dessas declarações, ainda não apresentou um plano detalhado para reorganizar o mercado caso seja eleito.
Flávio também destacou durante a campanha que votou contra a regulamentação das apostas. Sua posição acrescenta um elemento de incerteza ao debate, uma vez que criticar a proibição não significa necessariamente defender a manutenção do modelo regulatório vigente ou a retomada integral das operações.
A discussão ocorre em meio à preocupação de parte da população com os efeitos sociais das apostas. Pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro, conforme os dados citados pela reportagem, apontou que 78% dos entrevistados apoiavam o fim das bets, enquanto 18% eram contrários.
O setor passou por diferentes etapas de desenvolvimento regulatório no Brasil: foi autorizado durante o governo Michel Temer e teve sua regulamentação ampliada em 2023, durante a gestão Lula, com regras de fiscalização e tributação.
Investigação sobre possível ligação com casa de apostas
A aproximação de Flávio Bolsonaro com representantes do futebol também ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador seja sócio indireto da casa de apostas Best Bet, em parceria com o advogado Willer Tomaz.
Segundo informações publicadas pela imprensa, Tomaz teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões em apostas em 2025. A existência da investigação, contudo, não comprova as suspeitas, e as informações disponíveis não estabelecem como fato a participação societária de Flávio na empresa.
O caso acrescenta outro elemento ao debate sobre as relações entre política, apostas on-line e futebol no Brasil, em um momento em que o futuro regulatório do setor também está em discussão no Congresso Nacional.
Apostas on-line ganham espaço na disputa presidencial
A discussão sobre a proibição das bets passou a integrar o debate eleitoral devido ao impacto econômico da atividade sobre clubes, operadores e veículos de comunicação. Os contratos publicitários das empresas de apostas se tornaram uma fonte relevante de financiamento para o futebol brasileiro, ampliando o interesse das entidades esportivas nas decisões sobre o setor.
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, não declarou apoio público a nenhum dos candidatos. Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo, ele participou das articulações relacionadas ao boicote dos clubes à reunião com o governo federal.
Enquanto Lula sustenta a proibição, Flávio Bolsonaro sinaliza disposição para negociar uma alternativa, sem esclarecer quais mudanças defenderia nem garantir a retomada das operações.
Apesar dos contatos atribuídos à campanha com pessoas ligadas ao Flamengo, o clube mantém oficialmente sua neutralidade eleitoral. Para a indústria de jogos de azar, o desfecho da disputa política e regulatória será determinante para avaliar as perspectivas das apostas on-line e a continuidade das parcerias comerciais com o futebol brasileiro.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
Eventos
Cristina Turbatu elogia a visão da ICE Barcelona para o Hall 7
Terça-feira 20 Oct 2026 / 12:00
CGA destaca a competitividade do Canadá na ICE Barcelona
Terça-feira 13 Oct 2026 / 12:00
iGB Affiliate Barcelona 2027 abre inscrições para o evento
Terça-feira 13 Oct 2026 / 12:00
SUSCRIBIRSE
Para suscribirse a nuestro newsletter, complete sus datos
Reciba todo el contenido más reciente en su correo electrónico varias veces al mes.