Guilherme Boulos defende proibição das bets e critica impacto das apostas
Quarta-feira 13 de Maio 2026 / 12:00
⏱ 4 min de lectura
(Brasília).- O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, voltou a endurecer o discurso do governo brasileiro contra o mercado de apostas online ao defender a proibição das chamadas “bets” no país. Durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, o integrante do governo afirmou que as plataformas de apostas estariam contribuindo para o endividamento das famílias brasileiras e criticou o modelo tributário aplicado ao setor.
As declarações de Guilherme Boulos reforçam o avanço do debate político em torno das apostas online no Brasil, tema que vem ganhando espaço dentro da estratégia de comunicação do governo federal e da pré-campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“A minha posição é que tinha que proibir as bets no Brasil”, afirmou o ministro.
Segundo Guilherme Boulos, a regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional não teria sido suficiente para enfrentar os problemas relacionados ao setor.
“O Lula tentou uma regulamentação no Congresso, que foi aprovada, mas ela não resolveu. Várias bets estão envolvidas com lavagem de dinheiro”, declarou.
Ministro critica tributação e impacto econômico das apostas
“Estão corroendo o orçamento das famílias”, diz Boulos
Além das críticas regulatórias, o ministro também questionou a carga tributária aplicada às operadoras de apostas esportivas e jogos online.
“As bets conseguiram fazer um lobby no Congresso para evitar a taxação, elas pagam 12% de imposto, metade do imposto de renda do trabalhador, isso é um escândalo”, afirmou.
Guilherme Boulos também associou o crescimento das apostas ao aumento do endividamento da população brasileira.
“Estão corroendo a família brasileira, o orçamento das famílias, transformando o tempo do trabalhador em tempo de vício. Tem que acabar essa farra das bets”, acrescentou.
As declarações ocorrem em um momento de intensificação do debate sobre jogo responsável, publicidade de apostas e proteção financeira dos consumidores no mercado brasileiro regulamentado.
Propostas para restringir cassinos online avançam no Congresso
Projeto quer proibir exploração e publicidade de jogos online
A pressão política sobre o setor ganhou novo impulso após a apresentação de um projeto de lei pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta.
O texto propõe:
- Proibir cassinos online no Brasil
- Vetar exploração de jogos de azar online
- Restringir publicidade de apostas
- Revogar partes da regulamentação aprovada em 2023
Entre os principais argumentos apresentados pelos defensores da proposta está o funcionamento de jogos instantâneos populares, como o chamado “jogo do tigrinho”.
Segundo o projeto, essas modalidades utilizariam algoritmos com mecanismos de reforço intermitente capazes de estimular comportamento compulsivo.
Governo ainda discute posição oficial sobre apostas online
Planalto relaciona bets ao aumento do endividamento
Apesar do endurecimento do discurso de integrantes do governo, o Palácio do Planalto ainda não possui posição definitiva sobre eventuais medidas mais restritivas para o setor.
Em entrevista recente, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo continua debatendo internamente como lidar com o mercado de apostas online.
Enquanto isso, a administração federal já começou a implementar medidas indiretas relacionadas ao setor.
Uma delas foi a inclusão de restrições às apostas online dentro do programa Desenrola Brasil 2.0, lançado pelo Ministério da Fazenda.
Beneficiários do Desenrola terão CPF bloqueado em plataformas
Governo vê relação entre bets e inadimplência
Pelas novas regras do programa de renegociação de dívidas, usuários beneficiados terão seus CPFs bloqueados em plataformas de apostas online durante um período de um ano.
A medida reflete a avaliação do governo de que o crescimento das bets teria contribuído para o aumento recente da inadimplência das famílias brasileiras.
“As apostas tiveram um papel para crescer o endividamento no período recente”, afirmou Rogério Ceron.
Segundo Ceron, impedir temporariamente o acesso às plataformas poderá ajudar consumidores a evitar novo comprometimento de renda e contratação de crédito destinado a apostas.
O avanço das discussões políticas e regulatórias reforça o momento de maior escrutínio enfrentado pela indústria de apostas online no Brasil desde a implementação do mercado regulado no país.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
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