IAB diz que proibição dos cassinos é incompatível com a Constituição
Quinta-feira 04 de Junho 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(Rio de Janeiro).- O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) aprovou um parecer que questiona a validade constitucional da proibição dos cassinos no Brasil, argumentando que o Decreto-Lei nº 9.215, de 1946, não foi recepcionado pela atual Constituição Federal. A entidade sustenta que a vedação absoluta aos jogos de azar presenciais é incompatível com princípios constitucionais como a livre iniciativa, a liberdade econômica e a autonomia privada, em um momento em que o país amplia a regulamentação de diferentes segmentos da indústria de apostas.
Instituto vê norma incompatível com a ordem constitucional atual
A posição foi aprovada durante sessão plenária realizada na quarta-feira (3), após análise da Comissão de Direito Constitucional do IAB, relatada pelo advogado Paulo Horn.
Segundo o parecer, a norma que proibiu a exploração de cassinos foi editada em um contexto político e social específico do período pós-guerra e refletia concepções moralizantes que não encontram respaldo na atual estrutura constitucional brasileira.
Para Horn, os fundamentos utilizados para justificar a proibição não possuem consistência jurídica suficiente para restringir liberdades fundamentais. Na avaliação da comissão, o decreto tornou-se materialmente incompatível com a Constituição de 1988.
“A fundamentação do diploma revela opção normativa fundada em categorias valorativas abstratas, historicamente situadas e desprovidas de densidade jurídica suficiente para legitimar a restrição de liberdades fundamentais”, afirmou o relator.
Debate ocorre em meio à expansão do mercado regulado de apostas
A manifestação do IAB surge em um momento de profundas transformações no setor brasileiro de jogos e apostas.
Nos últimos anos, o país avançou na regulamentação das apostas esportivas de quota fixa e estabeleceu um novo marco regulatório para operadores licenciados, reforçando mecanismos de fiscalização, arrecadação tributária e proteção ao consumidor.
Evolução legislativa reforça mudança de paradigma
De acordo com o parecer, a aprovação das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023 demonstra que o Estado brasileiro passou a reconhecer a licitude de determinadas atividades baseadas na aleatoriedade, desde que submetidas a supervisão regulatória.
Na avaliação da comissão, essa evolução evidencia um afastamento gradual do modelo proibicionista que predominou durante décadas. O documento sustenta que a manutenção da vedação aos cassinos se tornou progressivamente incompatível com a evolução normativa observada no país.
O texto afirma que o novo cenário regulatório demonstra “a superação progressiva do paradigma proibicionista e evidenciando sua incompatibilidade estrutural com a ordem constitucional vigente”.
Proibição não eliminou a atividade, diz parecer
Outro argumento central apresentado pelo IAB é a suposta ineficácia prática da política de proibição dos cassinos.
Segundo o relatório, a vedação não foi capaz de extinguir a demanda por jogos de azar, mas contribuiu para o deslocamento da atividade para mercados paralelos e operações não reguladas.
“O modelo proibicionista mostrou-se, ao longo do tempo, estruturalmente ineficaz, não sendo capaz de eliminar a atividade, mas apenas de deslocá-la para a clandestinidade e para ambientes informais e transnacionais”, destaca o texto.
Na visão da entidade, esse cenário reduz a capacidade de controle estatal, dificulta a proteção dos consumidores e favorece a atuação de operadores fora do ambiente regulado. Além disso, o parecer conclui que a manutenção de uma proibição considerada incompatível com o atual ordenamento jurídico acaba produzindo efeitos contrários aos objetivos originalmente pretendidos pelo Estado.
IAB defende fiscalização em vez de proibição
O parecer também sustenta que a manutenção da proibição absoluta dos cassinos não encontra respaldo na moderna teoria do Direito Penal.
Para os integrantes da comissão, a restrição não protege um bem jurídico específico que justifique a intervenção penal do Estado, configurando um exemplo de “direito penal simbólico”. Segundo o documento, esse modelo é igualmente incompatível com os limites constitucionais do poder punitivo estatal.
Diante desse contexto, o IAB defende a adoção de um modelo baseado em regulamentação, transparência, supervisão governamental e mecanismos de proteção aos usuários, alinhado às práticas adotadas em diversos mercados internacionais.
A manifestação da entidade acrescenta novos elementos ao debate sobre a possível legalização dos cassinos físicos no Brasil, tema que segue em discussão entre legisladores, reguladores e representantes da indústria, enquanto o país consolida seu processo de modernização do setor de jogos e apostas. Para o instituto, a permanência de uma proibição considerada incompatível com a Constituição tende a ampliar a pressão por uma revisão legislativa nos próximos anos.
Categoría:Legislacion
Tags: Sin tags
País: Brasil
Región: Sudamérica
Eventos
SBC Summit Americas 2026
09 de Junho 2026
Belatra Games destaca o valor do networking no SBC Summit Americas 2026
(Fort Lauderdale, Exclusivo SoloAzar).- Lucila M. Barletta, Head of Accounts LatAm da Belatra Games, compartilhou sua visão sobre a participação da empresa no SBC Summit Americas. Do fortalecimento de parcerias à prospecção de novas oportunidades, ela destacou a importância tanto dos grandes eventos da indústria quanto das experiências de networking em menor escala para impulsionar um crescimento consistente dos negócios.
Zenith reforça sua presença na LATAM durante o SBC Summit Americas
(Fort Lauderdale, Exclusivo SoloAzar).- Em conversa com a SoloAzar, Eddie Morales, Business Development Manager da Zenith, compartilhou os objetivos da empresa no SBC Summit Americas, as oportunidades geradas durante o evento e sua visão sobre o futuro da indústria de jogos na América Latina.
Alexandre Tomic, fundador da Alea, faz um balanço da SBC Summit Americas
(Fort Lauderdale, Exclusivo SoloAzar).- Nesta entrevista à SoloAzar, Alexandre Tomic, fundador da Alea, fala sobre a participação da empresa na SBC Summit Americas, comenta o rápido crescimento do segmento de sweepstakes e explica os próximos passos da Alea.
SUSCRIBIRSE
Para suscribirse a nuestro newsletter, complete sus datos
Reciba todo el contenido más reciente en su correo electrónico varias veces al mes.