Legislacion

Procurador do MPT pede revisão da lei das bets diante de impactos sobre trabalhadores

Quinta-feira 04 de Junho 2026 / 12:00

⏱ 4 min de lectura

(Salvador, Bahia) O debate sobre os efeitos sociais e trabalhistas das apostas online ganhou força no Brasil após declarações do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Marcos G. Cutrim, que defendeu uma rediscussão da legislação das bets. As observações foram apresentadas durante o 2º Encontro Nacional da CONASCON, em meio ao avanço de iniciativas legislativas para restringir apostas ilegais e publicidade do setor, além do aumento das discussões sobre jogo responsável e proteção ao consumidor.

Procurador do MPT pede revisão da lei das bets diante de impactos sobre trabalhadores

Impactos das apostas no ambiente de trabalho entram no radar do MPT

Durante o evento realizado em Salvador, Cutrim afirmou que a atual regulamentação do mercado de apostas precisa ser reavaliada diante dos efeitos observados sobre a saúde mental, o endividamento e a produtividade dos trabalhadores brasileiros.

Segundo o procurador, embora a atividade esteja regulamentada, os impactos sociais associados ao crescimento das apostas digitais exigem uma análise mais ampla por parte das autoridades.

“Uma lei que está adoecendo as pessoas, empobrecendo as pessoas, e só beneficiando as casas de aposta, ela tem que ser rediscutida”, declarou.

O tema ganha relevância em um momento de maior escrutínio sobre a indústria de apostas no Brasil. Nos últimos dias, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que prevê punições mais severas para operadores clandestinos, incluindo restrições ao Pix e multas que podem chegar a R$ 20 milhões. Paralelamente, parlamentares discutem novas limitações à publicidade de apostas esportivas e jogos online.

Autoexclusão e saúde mental ampliam debate sobre jogo responsável

Os números relacionados ao comportamento dos jogadores também vêm alimentando o debate regulatório. Dados recentes apresentados pelo governo federal indicam que mais de 574 mil brasileiros recorreram aos mecanismos de autoexclusão disponibilizados pelas plataformas de apostas.

De acordo com as estatísticas mencionadas durante o encontro, 41% dos usuários que solicitaram autoexclusão relataram perda de controle sobre o jogo e impactos negativos na saúde mental.

Endividamento preocupa representantes dos trabalhadores

Cutrim citou estudos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do Instituto Locomotiva que apontam um crescimento do comprometimento da renda familiar com apostas. Segundo o procurador, o fenômeno afeta especialmente trabalhadores de menor renda, em um cenário em que aproximadamente 81% das famílias brasileiras já convivem com algum nível de endividamento.

O presidente da CONASCON, Moacyr Pereira, reforçou a preocupação da entidade com os reflexos das apostas sobre categorias profissionais representadas pela confederação.

“Saber que mais de 207 mil pessoas pediram socorro ao governo assumindo a perda de controle e o abalo na saúde mental mostra que estamos diante de uma epidemia silenciosa nos postos de trabalho”, afirmou.

A CONASCON representa cerca de 2,5 milhões de trabalhadores dos setores de asseio, conservação, limpeza urbana e áreas verdes em todo o Brasil.

Empresas são orientadas a priorizar acolhimento e prevenção

Outro ponto destacado durante o encontro foi a forma como empregadores devem lidar com trabalhadores afetados pela ludopatia, condição reconhecida como transtorno relacionado ao jogo.

Nova NR-01 reforça atenção aos riscos psicossociais

Segundo Cutrim, empresas devem avaliar cuidadosamente situações envolvendo empregados endividados ou diagnosticados com dependência em jogos antes da adoção de medidas disciplinares mais severas.

Com a entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que amplia a atenção aos riscos psicossociais no ambiente corporativo, o MPT defende abordagens preventivas e programas de suporte voltados à saúde mental.

Entre as medidas sugeridas estão ações de educação financeira, campanhas internas de conscientização e participação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) na discussão do tema.

Decisões judiciais começam a responsabilizar operadoras

O procurador também destacou o surgimento de decisões judiciais relacionadas a jogadores diagnosticados clinicamente com ludopatia.

Segundo ele, alguns tribunais já vêm determinando medidas como bloqueio de acesso a plataformas e ressarcimento de valores perdidos em apostas, sob o entendimento de que determinados usuários não possuíam plena capacidade de decisão durante os episódios de jogo compulsivo.

Além disso, começam a surgir discussões sobre eventuais indenizações por danos morais vinculadas a impactos psicológicos atribuídos à atividade e à publicidade do setor.

Para Cutrim, o debate pode evoluir para análises mais amplas sobre possíveis danos coletivos associados aos efeitos sociais das apostas.

“O que tem que ser avaliado é qual é o dano que tem sido causado à sociedade. E aí nós podemos começar a pensar: será que há um dano moral coletivo também, além do dano moral individual, que justifique ações civis públicas ou ações coletivas?”, questionou.

As declarações refletem o aumento das discussões regulatórias em torno do mercado brasileiro de apostas, que segue em processo de consolidação sob um ambiente de fiscalização mais rigoroso e crescente atenção aos temas de jogo responsável e proteção de grupos vulneráveis.

Categoría:Legislacion

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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