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Campanha de Lula avalia que veto às bets prejudicou eleição

Segunda-feira 05 de Outubro 2026 / 12:00

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(Brasília).- Integrantes da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a decisão de proibir as bets, anunciada nove dias antes do primeiro turno, pode ter prejudicado o desempenho eleitoral do presidente. Segundo reportagem de O Globo, o monitoramento das redes sociais identificou reações de influenciadores ligados principalmente à classe C, incluindo pedidos de voto em Flávio Bolsonaro como resposta ao fim das apostas online.

Campanha de Lula avalia que veto às bets prejudicou eleição

Proibição das bets gera avaliação negativa na campanha

A Medida Provisória nº 1.394/2026 determinou a suspensão da operação das casas de apostas no Brasil e estabeleceu que sites e aplicativos deixariam de operar a partir de 6 de outubro. Os apostadores tiveram até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores mantidos nas plataformas.

A decisão foi anunciada em 25 de setembro, apenas nove dias antes da votação do primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Segundo integrantes da campanha ouvidos por O Globo, a proximidade entre a proibição e a eleição transformou a medida em um possível fator de desgaste eleitoral. O monitoramento das redes sociais teria identificado influenciadores com alcance entre setores da classe C estimulando o chamado voto útil em Flávio Bolsonaro em reação ao banimento das apostas.

A avaliação ocorre em um contexto no qual o mercado regulado de apostas havia sido estruturado no Brasil a partir da legislação aprovada durante o próprio governo Lula.

Decisão provocou divergências internas

A proibição integral das bets também teria provocado divergências dentro do núcleo político da campanha.

De acordo com as informações divulgadas, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e a primeira-dama Janja da Silva estavam entre os principais defensores do banimento completo.

A avaliação atribuída a Sidônio era de que uma medida de forte impacto poderia beneficiar a campanha na reta final da disputa. Já Janja considerava que a proibição encontraria respaldo especialmente entre o eleitorado feminino. Outros integrantes do entorno presidencial teriam classificado a decisão como radical e eleitoralmente arriscada.

Apostas e futebol entram no debate eleitoral

Um dos principais efeitos colaterais apontados durante a discussão foi o impacto sobre o futebol brasileiro, fortemente conectado ao mercado de apostas por meio de patrocínios.

Clubes e entidades esportivas reagiram à medida, enquanto contratos comerciais com operadoras passaram a ser revisados ou suspensos. Em 2025, os patrocínios de bets representaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão para os clubes da Série A, segundo levantamento citado pela Folha.

A reação do setor esportivo também ganhou dimensão política. Flávio Bolsonaro criticou a proibição e defendeu uma diferenciação entre apostas esportivas e cassinos online, além de questionar os impactos da medida sobre os contratos de patrocínio dos clubes.

A discussão ocorreu paralelamente à articulação jurídica e política das empresas de apostas contra a MP. O setor passou a avaliar estratégias no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional para tentar reverter ou modificar a proibição.

Mercado regulado perde espaço para o debate sobre bets

A decisão também alterou de forma abrupta o cenário criado pela regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil.

As bets operavam em um ambiente regulado desde a implementação do marco legal aprovado em 2023. A nova medida, porém, determinou o encerramento da atividade e proibiu novos aportes financeiros nas plataformas.

A suspensão ocorre enquanto empresas, clubes e entidades do setor discutem os impactos econômicos da medida e suas possibilidades de reversão. Como se trata de uma medida provisória, seu conteúdo ainda depende da tramitação no Congresso e pode sofrer alterações durante o processo legislativo.

Proibição pode estimular o mercado ilegal

Outro ponto de preocupação para o setor é o possível deslocamento de apostadores para plataformas clandestinas.

A interrupção das operações legais ocorre em um mercado no qual as autoridades brasileiras também ampliaram a fiscalização contra sites não autorizados. Na primeira semana após a MP, mais de 10 mil plataformas ilegais foram encaminhadas para bloqueio, enquanto o governo intensificou ações contra publicidade e promoção de bets nas redes sociais.

O risco de crescimento do mercado clandestino é um dos argumentos apresentados pelo setor contra o banimento integral, diante da possibilidade de migração dos usuários para operadores sem mecanismos de proteção ao consumidor ou supervisão regulatória.

Impacto eleitoral ainda é atribuído à avaliação da campanha

A avaliação de integrantes da campanha de Lula deve ser diferenciada de uma demonstração de causalidade entre a proibição das bets e o resultado eleitoral.

Uma pesquisa PoderData/AYA realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, antes do primeiro turno, mostrou que 52% dos entrevistados aprovavam a proibição das bets. Ao mesmo tempo, 43% consideravam que a medida favorecia a candidatura de Lula, enquanto 31% avaliavam que ela a prejudicava.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, levando a disputa para o segundo turno.

Nesse contexto, a própria campanha de Lula passou a considerar que a reação de parte dos usuários de apostas, influenciadores e setores ligados ao futebol pode ter contribuído para o desempenho eleitoral observado.

A partir de 6 de outubro, quando a suspensão das operações das bets entra em sua fase definitiva, o impacto da medida sobre apostadores, empresas, clubes e demais agentes do ecossistema de apostas deverá ganhar ainda mais relevância no debate sobre o futuro do mercado brasileiro.

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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