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Clubes de SP reagem a projeto que veta publicidade de bets

Quarta-feira 26 de Agosto 2026 / 12:00

⏱ 3 min de lectura

(São Paulo).- Corinthians, Palmeiras, São Paulo e a Federação Paulista de Futebol (FPF) articulam uma reação contra um projeto de lei que pretende proibir a publicidade de casas de apostas em eventos esportivos realizados na capital paulista. A proposta avançou na Câmara Municipal de São Paulo após receber parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aumentando a preocupação dos clubes com o impacto sobre suas receitas de patrocínio.

Clubes de SP reagem a projeto que veta publicidade de bets

Patrocínios de bets entram no centro do debate

Representantes dos três principais clubes paulistanos e da FPF se reuniram na sexta-feira (21) para discutir estratégias diante do avanço da proposta, segundo informações do ge.

A preocupação central é econômica. Corinthians, Palmeiras e São Paulo recebem, juntos, cerca de R$ 350 milhões fixos por ano por meio dos contratos de patrocínio máster de seus uniformes. Esses valores podem ser ampliados por bônus vinculados a metas, premiações e exposição das marcas em placas e outros espaços dos estádios.

O peso das casas de apostas nesse mercado cresceu significativamente nos últimos anos. Em 2023, por exemplo, o Corinthians recebia aproximadamente R$ 17 milhões anuais de uma empresa farmacêutica pelo patrocínio máster. Atualmente, uma bet ocupa o principal espaço comercial da camisa por um contrato de R$ 150 milhões por ano, além de bônus.

Proibição pode afetar receitas da indústria esportiva

O projeto, de autoria do vereador João Jorge (MDB), estabelece a proibição da publicidade de bets em eventos realizados no município de São Paulo, independentemente de serem promovidos por entidades públicas ou privadas.

A medida também não faria distinção entre espaços públicos e privados. Entre os formatos atingidos estão placas, faixas e painéis instalados em praças esportivas.

Caso aprovado, o texto prevê multas de R$ 50 mil e até a suspensão do direito de realizar eventos no município por um período de até dois anos.

Projeto cita riscos associados às apostas

A justificativa apresentada pelo vereador relaciona a iniciativa à necessidade de combater problemas sociais associados ao jogo, especialmente endividamento e comportamento compulsivo.

"Não se pode deixar de citar […] situações de endividamento, conflitos familiares e desestruturação emocional oriundos do vício em apostas", afirma o texto que acompanha a proposta.

O debate coloca em lados opostos a preocupação com a proteção dos consumidores e o impacto econômico que uma eventual restrição à publicidade poderia produzir sobre clubes, eventos esportivos e o ecossistema de patrocínios.

Clubes alertam para perda de competitividade

Restrição local preocupa grandes equipes

O principal argumento apresentado pelos clubes é que uma proibição limitada à cidade de São Paulo poderia gerar uma assimetria competitiva no futebol brasileiro.

Corinthians, Palmeiras e São Paulo passariam a enfrentar restrições para captar patrocínios de operadores de apostas em sua principal área de atuação, enquanto equipes de outras cidades e Estados poderiam continuar explorando esse mercado dentro das respectivas legislações locais.

Para os dirigentes, a questão ultrapassa a publicidade em si e envolve a capacidade dos clubes paulistanos de competir financeiramente com equipes submetidas a regras diferentes.

Debate sobre publicidade de bets avança no Brasil

A discussão em São Paulo ocorre paralelamente a outros movimentos para restringir a publicidade de casas de apostas no país.

Segundo o Globo Esporte, o tema também foi discutido entre um dirigente de um clube paulistano e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

No âmbito nacional, projetos com propostas semelhantes estão em tramitação no Congresso. Já em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) assinou, na quinta-feira (20), um decreto que proíbe a publicidade de casas de apostas em equipamentos estaduais.

A restrição mineira também alcança espaços concedidos à iniciativa privada, incluindo áreas de equipamentos esportivos como o Mineirão.

Publicidade de apostas ganha novo foco regulatório

Os movimentos em São Paulo e Minas Gerais ampliam a discussão sobre os limites para a exposição das marcas de betting no esporte brasileiro. Para o mercado regulado, o debate ocorre em um momento em que operadores e clubes ainda mantêm forte relação comercial por meio de patrocínios, enquanto autoridades buscam estabelecer mecanismos de proteção ao consumidor e jogo responsável.

O avanço de restrições em diferentes níveis de governo poderá, portanto, produzir efeitos não apenas sobre a publicidade das bets, mas também sobre o modelo de financiamento do esporte e sobre a estratégia de marketing dos operadores no mercado brasileiro.

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País: Brasil

Región: Sudamérica

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