COB busca evitar corte de R$ 500 milhões das bets no esporte
Sexta-feira 28 de Agosto 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(Brasília).- O Comitê Olímpico do Brasil (COB) pretende negociar no Senado uma alteração na PEC 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, para impedir que mudanças na distribuição da arrecadação das apostas esportivas reduzam em cerca de R$ 500 milhões anuais os recursos destinados ao esporte brasileiro.
PEC da Segurança altera destino das receitas das bets
A principal preocupação do COB está no dispositivo da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que prevê a transferência progressiva de uma parcela da arrecadação das apostas esportivas para o financiamento da segurança pública.
Pelo texto, 10% da arrecadação será destinada à segurança em 2026, 20% em 2027 e 30% a partir de 2028. Os recursos serão direcionados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).
A mudança pode afetar uma das fontes de financiamento que passaram a beneficiar o esporte com a regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil.
COB não questiona financiamento da segurança
A entidade olímpica afirma que não é contrária ao reforço do orçamento destinado à segurança pública. A estratégia é tentar modificar especificamente o mecanismo de distribuição dos recursos das bets.
O presidente do COB, Marco La Porta, defende a manutenção dos valores atualmente destinados ao esporte e argumenta que a entidade não está solicitando uma parcela adicional da arrecadação.
“Não estamos pedindo mais recursos, mas que não nos tirem o que já temos.”
Segundo o dirigente, o objetivo é preservar uma fonte de financiamento que já foi incorporada ao planejamento das entidades esportivas brasileiras.
Bets já representam receita relevante para o esporte
Atualmente, o COB recebe aproximadamente R$ 110 milhões por ano provenientes das bets, valor equivalente a cerca de 25% dos recursos que a entidade obtém das loterias.
Com a mudança proposta pela PEC, a estimativa é de uma redução de aproximadamente R$ 30 milhões a R$ 40 milhões anuais para o COB.
O impacto, porém, não se limita ao Comitê Olímpico. A arrecadação das apostas também financia outras organizações do sistema esportivo brasileiro, incluindo o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), além do esporte escolar e universitário.
Recursos das bets estão no centro da disputa
Para o COB, a questão central é evitar que o aumento dos recursos destinados à segurança pública seja financiado com uma redução das verbas que já foram destinadas ao esporte.
A entidade estima que a mudança possa representar uma perda de cerca de R$ 500 milhões anuais para o conjunto do esporte brasileiro.
La Porta também argumenta que investimentos esportivos possuem impacto social e podem contribuir para políticas de prevenção à violência e à criminalidade.
COB articula mudanças no Senado
A estratégia agora será concentrada no Senado Federal. O COB pretende dialogar com os senadores para retirar da PEC o trecho que altera a atual distribuição dos recursos provenientes das apostas.
Uma das alternativas defendidas consiste em buscar os recursos adicionais para a segurança pública por meio da parcela da arrecadação que permanece com as próprias operadoras, em vez de reduzir os valores destinados às áreas sociais.
A senadora Leila Barros apresentou uma emenda alinhada a essa proposta.
Entretanto, o relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Rogério Carvalho, sinalizou a intenção de manter o texto aprovado pela Câmara.
Disputa pode redefinir a destinação das receitas das apostas
A discussão representa mais um capítulo do debate sobre a utilização da arrecadação gerada pelo mercado regulado de apostas no Brasil.
Desde a regulamentação das bets, os recursos provenientes do setor passaram a financiar diferentes áreas públicas e sociais. A PEC 18/2025 introduz agora uma mudança relevante ao ampliar a participação da segurança pública nessa distribuição.
Para a indústria de apostas, a discussão é particularmente relevante porque a definição dos percentuais de distribuição influencia diretamente o modelo econômico e a destinação da arrecadação do mercado regulado.
O debate no Senado deverá determinar se a segurança pública receberá os percentuais previstos no texto aprovado pela Câmara ou se haverá uma nova fórmula de distribuição capaz de preservar os recursos atualmente destinados ao esporte.
Categoría:Otros
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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