Mais de 326 mil brasileiros solicitaram autoexclusão em sites de apostas desde início da regulamentação
Quinta-feira 05 de Março 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(Brasília).- O Governo Federal informou que 326 mil usuários já solicitaram a autoexclusão de plataformas de apostas online desde o lançamento da ferramenta oficial de bloqueio de contas, implementada no final de 2025. O sistema integra a estratégia de políticas públicas de jogo responsável desenvolvida após a regulamentação do mercado brasileiro de apostas esportivas.
A plataforma foi criada em parceria entre o Ministério da Fazenda e o Ministério da Saúde, permitindo que qualquer apostador solicite voluntariamente o bloqueio de acesso a operadores licenciados e também deixe de receber publicidade dessas empresas.
De acordo com o balanço divulgado pelo governo, 37% dos pedidos foram motivados por perda de controle sobre o jogo e questões relacionadas à saúde mental, enquanto 25% dos usuários indicaram preocupação com o uso de seus dados pessoais por plataformas de apostas.
Autoexclusão por tempo indeterminado lidera escolhas
Ao solicitar o bloqueio, o usuário pode escolher diferentes períodos de autoexclusão: 1, 3, 6, 9 ou 12 meses, ou ainda optar pelo bloqueio por tempo indeterminado.
Segundo os dados oficiais, 73% dos usuários escolheram a exclusão permanente, enquanto 19% selecionaram o período de um ano. Durante o prazo definido, o apostador fica impedido de acessar plataformas de apostas online autorizadas no país.
A iniciativa faz parte de um Acordo de Cooperação Técnica com duração de cinco anos entre os ministérios, que inclui ações voltadas à prevenção da dependência em jogos, produção de materiais educativos e compartilhamento de dados para monitorar o impacto social do setor.
Além do bloqueio, a plataforma também direciona os usuários para serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), como o aplicativo Meu SUS Digital e canais de atendimento que oferecem testes de triagem para possível dependência em apostas.
Teleatendimento para saúde mental entra em operação em 2026
Como parte das políticas públicas associadas à regulamentação do setor, o governo também anunciou que, a partir de fevereiro de 2026, a rede pública passará a oferecer teleatendimento especializado em saúde mental relacionado a jogos e apostas.
O serviço será implementado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS.
Especialistas apontam que a criação de um banco nacional de autoexclusão representa um avanço relevante para o mercado regulado.
Segundo Cristiano Costa, psicólogo clínico e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), ferramentas de autobloqueio são fundamentais para o tratamento da compulsividade.
Ele destaca, no entanto, que outras medidas também são importantes, como a definição de limites de apostas já no momento do cadastro e o uso consciente das ferramentas de autocontrole.
Operadoras reforçam políticas de jogo responsável
Executivos do setor de apostas avaliam que a regulamentação brasileira impulsionou melhorias nas práticas internas das operadoras.
Fellipe Campos, sócio-diretor da Luck.bet, afirma que as empresas passaram a implementar mecanismos como verificação de realidade, autoexclusão voluntária e suporte profissional especializado, por meio de parcerias com organizações internacionais como Gambling Therapy e GambleAware.
Além disso, operadoras planejam ampliar campanhas educativas e iniciativas de conscientização para alertar sobre os riscos do jogo compulsivo.
Para o influenciador Daniel Fortune, as ferramentas são importantes, mas não suficientes isoladamente. Segundo ele, a educação do apostador e o combate às plataformas ilegais são fatores essenciais para garantir a eficácia das políticas de proteção.
Monitoramento de comportamento ganha espaço
Na prática, diversas operadoras já utilizam sistemas de monitoramento comportamental para identificar padrões de risco entre apostadores. Entre as medidas adotadas estão limites de depósito, restrições de tempo de jogo e suspensão preventiva de contas em casos considerados críticos.
A Ana Gaming, holding responsável pelas plataformas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, informou que utiliza sistemas de autoavaliação e análise de perfis para identificar possíveis sinais de compulsividade.
Para especialistas do setor, o avanço das políticas de jogo responsável fortalece a credibilidade da indústria.
“Apostadores conscientes tornam o mercado mais sólido. É essencial que governo, operadoras e entidades trabalhem juntos para criar uma cultura de responsabilidade e confiança no setor de betting”, afirma Ricardo Bianco Rosada, fundador da consultoria brmkt.co.
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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