Operação Azzardo investiga rede de bets ilegais no Brasil
Sexta-feira 06 de Novembro 2026 / 12:00
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(Brasília).- A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em conjunto com forças policiais de outros cinco estados, deflagrou a Operação Azzardo para desarticular uma rede de plataformas de apostas online que operava sem autorização federal no Brasil e teria movimentado aproximadamente R$ 734 milhões. A investigação, iniciada há cinco meses a partir de informações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF), resultou no cumprimento de 52 mandados de busca e apreensão e em medidas judiciais que autorizam o bloqueio de R$ 3,483 bilhões em ativos de pessoas físicas e jurídicas.
Operação Azzardo mobiliza seis estados contra bets ilegais
A ação policial foi realizada nesta quinta-feira (5 de novembro) e mobilizou aproximadamente 200 agentes das polícias civis do Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
As diligências ocorreram em diferentes localidades. No Distrito Federal, as equipes atuaram em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, onde foram identificadas dezenas de empresas registradas com os mesmos endereços e números de telefone.
Em São Paulo, as buscas abrangeram regiões empresariais como a Avenida Brigadeiro Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia. Já em Goiás, as equipes realizaram diligências em Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás.
Segundo as autoridades, a investigação identificou diversas plataformas de apostas de quota fixa que funcionavam sem a autorização federal exigida para atuar no mercado brasileiro. Os sites eram promovidos por meio das redes sociais e também apareciam nos resultados de mecanismos de busca, como o Google.
Bloqueio de R$ 3,483 bilhões e medidas judiciais
A Justiça do Distrito Federal autorizou o bloqueio de R$ 3,483 bilhões, abrangendo 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas investigadas.
Entre as determinações judiciais também estão a suspensão dos registros no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e nas juntas comerciais de 100 empresas e empresários individuais, além da proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.
A decisão ainda autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
Investigação identifica estrutura financeira das apostas ilegais
Um dos principais eixos da investigação envolve o caminho percorrido pelos recursos depositados pelos apostadores nas plataformas clandestinas.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, os pagamentos via Pix eram direcionados a mais de 100 contas abertas na fintech A55 Sociedade de Crédito, sediada em São Paulo. A movimentação financeira identificada por esse mecanismo chegou a aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo informações da corporação.
A investigação aponta que os recursos eram transferidos para empresas cujas atividades oficialmente declaradas não tinham relação com o setor de apostas.
A instituição financeira, duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e seus dirigentes estão entre os alvos das medidas de busca e bloqueio.
“Esta instituição financeira, duas empresas do mesmo grupo e seus dirigentes são alvos das medidas de busca e bloqueio cumpridas na operação de hoje”, informou a Polícia Civil do Distrito Federal.
Empresas de fachada e denúncias de apostadores
As apurações também identificaram possíveis estruturas empresariais fictícias utilizadas para receber e movimentar os valores provenientes das apostas.
Em entrevista coletiva, o delegado Paulo Pereira, chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da PCDF, relatou que alguns usuários registraram denúncias por não receberem os valores solicitados às plataformas.
“Apostadores abriram boletins de ocorrência. Eles diziam que não recebiam os valores das apostas e não sabiam que os sites eram ilegais. Aparentemente estavam sendo vítimas de estelionato”, afirmou.
Segundo o delegado, algumas empresas utilizadas para receber os pagamentos apresentavam endereços incompatíveis com as atividades declaradas. Uma delas estava registrada em uma padaria, enquanto outra utilizava o endereço de uma residência humilde. Nesse último caso, a moradora teria recebido R$ 200 para fornecer seus dados pessoais para o registro empresarial.
Investigados podem enfrentar penas de até 33 anos
Os envolvidos na investigação são suspeitos de crimes relacionados à exploração de loterias sem autorização, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.
Consideradas em conjunto, as penas previstas para esses delitos variam de 11 anos e seis meses a 31 anos de prisão, podendo alcançar 33 anos quando a falsidade ideológica envolver documento público.
A Operação Azzardo foi iniciada a partir de comunicações da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda à Polícia Civil do Distrito Federal, que identificou a atuação de plataformas clandestinas no mercado brasileiro.
O nome da operação faz referência à expressão italiana gioco d'azzardo, utilizada para designar jogos de azar.
Categoría:Otros
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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