Pesquisa mostra percepção dividida dos brasileiros sobre responsabilidade pelo avanço das bets
Terça-feira 21 de Julho 2026 / 12:00
⏱ 3 min de lectura
(Brasília).- Uma pesquisa de opinião indica que os brasileiros atribuem mais ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva do que à gestão de Jair Bolsonaro a responsabilidade pelo crescimento do mercado de apostas esportivas online, embora o tema das bets ainda tenha pouca influência direta na decisão de voto para as eleições de 2026.
Maioria dos eleitores não aponta um único governo como responsável pelas bets
O levantamento realizado pela More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec analisou a percepção dos eleitores sobre a expansão das plataformas de apostas esportivas no Brasil e revelou uma divisão entre os entrevistados.
Segundo os dados, 18% dos brasileiros afirmam que o crescimento das bets é responsabilidade do governo Lula, enquanto 4% atribuem a expansão exclusivamente à administração Bolsonaro.
Por outro lado, uma parcela significativa da população não responsabiliza diretamente nenhum dos dois governos:
- 35% afirmam que nenhum dos governos deve ser responsabilizado;
- 33% consideram que Lula e Bolsonaro dividem a responsabilidade;
- 10% não souberam responder.
Os números refletem o debate político em torno da regulamentação das apostas esportivas no Brasil, um setor que passou por rápida expansão nos últimos anos e ganhou maior atenção com a criação de um marco regulatório específico.
Tema das apostas ainda não define o voto dos eleitores
Apesar do crescimento da indústria de apostas e da presença das bets no debate público, a pesquisa aponta que o tema ainda não representa um fator decisivo para a escolha dos eleitores.
A percepção sobre qual governo teria maior responsabilidade pela expansão do mercado de apostas não altera significativamente as preferências eleitorais, indicando que outros temas permanecem mais relevantes para a definição do voto em 2026.
Diferenças entre grupos políticos
A avaliação sobre a responsabilidade pela expansão das bets varia conforme a preferência política dos entrevistados.
Entre os eleitores que declararam intenção de votar em Lula, 14% responsabilizam o atual governo pelo crescimento do setor, enquanto 8% apontam a gestão Bolsonaro.
Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, a percepção é diferente:
- 28% atribuem a responsabilidade ao governo Lula;
- 3% responsabilizam Jair Bolsonaro;
- 34% consideram que os dois governos têm responsabilidade;
- 28% afirmam que nenhum dos dois deve ser responsabilizado.
Entre eleitores que apoiam outros candidatos ou indicam voto branco ou nulo, 15% apontam Lula como responsável, 2% citam Bolsonaro, 42% atribuem responsabilidade aos dois governos e 32% não responsabilizam nenhuma das administrações.
Regulamentação das bets entrou na agenda do governo Lula
A pesquisa também aborda o histórico regulatório das apostas esportivas no Brasil.
O processo de legalização das apostas de quota fixa começou durante o governo de Michel Temer, com a aprovação da Lei nº 13.756/2018, que autorizou a modalidade e estabeleceu a necessidade de regulamentação posterior.
No entanto, a regulamentação específica não foi concluída durante o governo Bolsonaro. Em dezembro de 2023, a administração Lula aprovou a Lei nº 14.790, criando regras para o funcionamento do mercado regulado de apostas esportivas.
Segundo análise do professor Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo (USP), o governo atual acabou assumindo o custo político da regulamentação de um mercado que já existia legalmente, mas que durante anos operou sem regras detalhadas.
Mercado regulado de apostas segue no centro do debate público
A expansão das bets continua sendo um dos principais temas relacionados à transformação da indústria de jogos de azar no Brasil.
Enquanto o governo federal busca consolidar um ambiente regulado, com fiscalização e arrecadação tributária, o setor permanece no centro de discussões envolvendo proteção ao consumidor, publicidade, responsabilidade social e impacto político.
A pesquisa indica que, embora as apostas esportivas tenham ganhado visibilidade no cenário nacional, o tema ainda não possui força suficiente para se tornar um dos principais critérios de decisão dos eleitores brasileiros.
Categoría:Otros
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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