SUS lança teleatendimento gratuito para tratar compulsão por apostas online
Quarta-feira 04 de Março 2026 / 12:00
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(Brasília).- O Ministério da Saúde anunciou o início de um serviço inédito de teleatendimento em saúde mental pelo SUS voltado a pessoas com compulsão por apostas online, as chamadas “bets”. A iniciativa, destinada a maiores de 18 anos, também contempla familiares e redes de apoio, ampliando o acesso a cuidados especializados de forma gratuita, confidencial e digital.
O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha, que destacou o caráter estratégico da medida diante do crescimento dos casos de sofrimento psíquico associados às apostas eletrônicas. O serviço é realizado em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, por meio do Proadi-SUS, fortalecendo a articulação entre excelência hospitalar e saúde pública.
A expectativa inicial é de 600 atendimentos mensais, número que poderá ser ampliado progressivamente até atingir 100 mil consultas por mês, conforme a demanda.
Atendimento estruturado e integrado à rede pública
As consultas ocorrem por vídeo, têm duração média de 45 minutos e fazem parte de ciclos estruturados que podem incluir até 13 sessões por paciente, realizadas de forma individual ou em grupo com familiares. A equipe é multiprofissional, composta por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatras quando necessário, além de integração com assistência social e medicina de família.
Segundo Padilha, dados dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) indicam entre 2 mil e 3 mil atendimentos presenciais recentes relacionados exclusivamente à compulsão por jogos, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a cuidados especializados.
O novo serviço busca justamente reduzir barreiras como vergonha, medo de julgamento ou dificuldade de reconhecer o problema — fatores que ainda limitam a procura espontânea por atendimento presencial.
Acesso digital pelo Meu SUS
O teleatendimento pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para Android, iOS e versão web. Após login com conta gov.br, o usuário encontra, na seção “Miniapps”, a opção voltada a problemas com jogos de apostas.
O sistema oferece um autoteste validado cientificamente no Brasil, capaz de identificar níveis de risco. Casos classificados como moderados ou elevados são automaticamente encaminhados ao teleatendimento. Situações de menor risco recebem orientação para buscar a Rede de Atenção Psicossocial, que inclui CAPS e Unidades Básicas de Saúde.
Além das consultas, o aplicativo disponibiliza conteúdos educativos sobre prevenção, sinais de alerta e impactos das apostas na saúde mental. A Ouvidoria do SUS também está preparada para orientar a população pelo telefone 136, WhatsApp, formulário online ou chatbot. Todas as informações seguem as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Capacitação nacional reforça estratégia
A ação integra a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas e é acompanhada por um amplo programa de capacitação profissional em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Foram abertas 20 mil vagas para trabalhadores da saúde, das quais 13 mil já receberam inscrições e 1,5 mil profissionais concluíram a formação. A expectativa é ampliar ainda mais esse número diante da alta procura.
O objetivo é que o teleatendimento resolva grande parte dos casos de forma remota e, quando necessário, direcione rapidamente o paciente à rede presencial, garantindo continuidade e integralidade do cuidado.
Plataforma de autoexclusão já reúne mais de 300 mil usuários
Complementando a estratégia federal de prevenção, o governo mantém ativa a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, disponível desde dezembro. A ferramenta permite que o apostador solicite bloqueio de sites de apostas, impeça o uso do CPF para novos cadastros e suspenda o recebimento de publicidade.
O bloqueio pode ser definido por dois meses, seis meses ou por tempo indeterminado. Segundo o ministro, mais de 300 mil pessoas já aderiram à plataforma, sendo que a maioria optou pela exclusão sem prazo definido — um indicativo de comprometimento com a recuperação.
A integração dos dados com o cartão SUS permite identificar situações de maior risco e agilizar o encaminhamento ao atendimento adequado.
Impacto econômico e resposta institucional
Estudo recente aponta que as apostas online geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$ 38,8 bilhões anuais no Brasil. Diante desse cenário, o novo teleatendimento representa uma resposta institucional robusta ao avanço de comportamentos problemáticos associados ao jogo digital.
Para o setor de jogos, a medida também reforça a importância de políticas públicas estruturadas, prevenção ativa e responsabilidade social — elementos cada vez mais centrais no debate regulatório internacional.
Com a combinação de tecnologia, capacitação profissional e integração em rede, o SUS dá um passo relevante na consolidação de uma política pública moderna, acessível e focada na saúde mental em um contexto de rápida expansão das apostas online no país.
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País: Brasil
Región: Sudamérica
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